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É preciso refletir com mais profundidade se a grande resignação ameaça apenas empresas de maior porte e que estão inseridas em economias mais desenvolvidas, como as dos Estados Unidos e da Europa.

O movimento caracterizado pelo grande número de bons profissionais que pedem demissão – ou consideram esta possibilidade – em busca de mais qualidade de vida é uma realidade também em países como o Brasil.

 

André Daher, sócio fundador do escritório Daher & Jacob.

O fenômeno é resultado direto da aceleração exponencial da tecnologia digital, que permite que boa parte das atividades profissionais sejam prestadas fora das paredes da empresa e em qualquer lugar do mundo.

Outra alavanca foi a pandemia. As pessoas passaram a valorizar ainda mais a qualidade de vida e o tempo de convívio familiar. E manifestam resistência em retornar ao ambiente de trabalho clássico antes da covid-19.

Diante do risco perder importantes talentos e também os recursos investidos nos processos de seleção e desenvolvimento, as organizações empresariais têm se empenhado em oferecer modelos de trabalho remoto ou híbrido.

Mas como chegar a um bom termo sem correr o risco de a emenda ficar pior que o soneto? Como prevenir os eventuais passivos que podem ser gerados em função desta nova prática ainda não estar plenamente regulamentada?

Nos casos de teletrabalho, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) preceitua que empregado e empregador devem fazer um contrato com regras bem definidas – como forma de comunicação e pagamento de energia elétrica, internet e telefone, por exemplo.

Também é necessária real atenção do empregador às normas de medicina e segurança do trabalho. Afinal, é de responsabilidade do empregador a verificação da ergonomia, da insalubridade, da periculosidade e de possíveis acidentes de trabalho, entre outros pontos.

E como controlar a jornada? Os equipamentos eletrônicos colocados à disposição dos profissionais, como smartphones, devem ser computados como tempo à disposição da empresa?

Há pelo menos duas verdades indiscutíveis:

1) há ainda muitas outras perguntas a serem respondidas e

2) o avanço do trabalho remoto ou híbrido é um caminho sem volta.

Neste ambiente permanentemente transitório e de mudanças cada vez mais aceleradas, a melhor solução para evitar perder bons talentos para a grande resignação e prevenir passivos trabalhistas é um bom contrato individual de trabalho.

Texto de André Daher, sócio do escritório Daher & Jacob.

Artigo disponível em: https://ndmais.com.br/opiniao/artigo/o-caminho-sem-volta-do-teletrabalho/